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Mostra Rosa Berardo, cineasta goiana

Crítica, Eventos, Notícia

Fui ver a “Mostra Rosa Berardo” e eis o parecer sob o olhar de uma pessoa que pouco conhece sobre o cinema independente

 

Sim, é verdade que eu mal conheço o cinema independente. Há pouco venho mergulhando nesse mundo mágico tão fantástico, aventureiro e assustador. Sou apenas uma consumidora do produto, digamos assim. E o que chegava até mim eram os filmes mais comerciais, de grandes distribuidoras que lutam por grandes bilheterias.

Faz apenas um ano que venho acompanhando mostras e festivais de cinema com filmes culturais e independentes. E confesso que esse universo me fascinou e ganhou uma fã. Pois além de poder assistir um enredo diferenciado, também tenho a oportunidade de parabenizar pessoalmente o autor da obra e a equipe toda.

 

Que dia você terá a oportunidade de olhar nos olhos do diretor do filme que você acabou de assistir e poder dar a sua sincera opinião ali mesmo?

 

Após conhecer só um “beicinho de pulga” (não é nem a ponta ein) do iceberg aprendi a admirar e respeitar os profissionais do mercado das belas artes (olha só que nome lindo).

Confesso que até então nunca tinha ouvido falar na Rosa Berardo, até o dia que me falaram que ela iria apresentar alguns curtas em um cinema de Goiânia. Um evento de um só dia, uma só exibição. Uma cineasta goiana, produtora, roteirista e mais vários outros títulos. Pensei comigo “Poxa, não posso perder essa oportunidade, quantos mil reais que deve ser?”. E para a minha surpresa o evento seria gratuito (OI?!). Mesmo que fosse pago eu iria, mas claro que adorei a informação, quem não gosta de coisas de graça?

Quando entrei, a sala estava quase lotada, já logo imaginei que essa mulher deveria ter uma família muito grande ou ser realmente muito reconhecida no mercado. Depois de tantas homenagens ela ganhou a segunda opção, realmente é uma pessoa muito reconhecida e admirada no meio cinematográfico.

 

Passaram os seguintes filmes “Alarme Falso”, “André Louco” e “Marcas da Ditadura na Vida de um Ator”, o último quase me fez chorar.

Vou relatar brevemente o que achei de cada um. Lembrando que é uma visão de uma pessoa fora do mercado cinematográfico.

 

Alarme Falso

Um curta bem curto (risos), mas com uma mensagem muito pertinente aos dias atuais, passada de forma muito simples. No início, o enredo parece bobagem, uma história muito simples e comum no cotidiano. Mas no final, você se depara com uma situação que com certeza já passou pela sua cabeça, o famoso “e se”. “E se eu não tivesse ido aquela festa ontem, teria acordado mais disposta para fazer a prova e talvez teria passado.”, “E se eu não tivesse optado por mudar meu caminho e atravessado aquela rua, não teria sido atropela e ficado em uma cadeira de rodas”… Esse “e se” assombra nossos pensamentos desde sempre. E se D. Pedro não tivesse declarado a independência?

O filme nos faz pensar em quantos “e se” deixamos perdidos pelo caminho, como uma simples decisão pode mudar toda a nossa vida. Acaso? Destino? Energias do universo? Deus? Cada um interpreta de uma maneira, mas no fim das contas o poder de mudar a sua vida está nas suas mãos. São seus atos que definem o seu futuro, sem você nem imaginar.

 

André Louco

Esse foi ótimo! Filme das antigas, preto e branco, em película, ou seja, aqueles rolinhos parecidos com o negativos de fotos antigas que tinha que revelar. Lembra? Só que em uma versão bem maior. Me lembro quando, em um desses festivais que frequentei, conheci um Diretor Germano Pereira e ele estava me explicando como eram feitas as filmagens. Demorava horas para gravar uma cena de poucos segundos, pois era feito quase como uma animação. Depois desse dia, eu dei muito mais valor aos filmes antigos.

André Louco mostra exatamente o que ainda não entendemos hoje, a diferença do outro. Ainda não sabemos lidar com as diferenças, dentre elas as doenças da mente. Só a mãe sabe o quanto sofre uma criança com Síndrome de Down ou com Esquizofrenia ou qualquer tipo de transtorno mental. É incrível pensar que até hoje as escolas não sabem lidar com isso.

Esse filme mostra o quanto a ignorância e o medo do desconhecido pode nos tornar cruéis.

 

Marcas da Ditadura na Vida de um Ator

Esse documentário foi incrível, me emocionou profundamente, me chocou até. Eu vi ali situações que antes eram desconhecidas por mim, como o fato da polícia colocar os artistas em manicômios só para desfazer a imagem deles perante a sociedade e desvalorizar seus trabalhos, muitas vezes de protesto contra a ditadura.

Um momento muito delicado que estamos vivendo na política hoje no Brasil, pede um documentário como esse. Precisamos nos lembrar do que era a ditadura, precisamos falar sobre isso, ouvir relatos. Um assunto muito delicado de se debater, um grande tabu ainda hoje. Mas não pode ser esquecido jamais.

 

Estas foram as minhas percepções quanto ao evento e os filmes transmitidos. Espero que um dia esses eventos ganhem mais reconhecimento e notoriedade. Esses profissionais são incríveis e merecem nosso carinho e respeito.

E se você quer acompanhar eventos como este, aqui no site sempre postamos os eventos que acontecem em Goiânia, acompanhe nossas notícias e fique por dentro. Quem sabe você também acaba descobrindo uma nova paixão.

 

Texto por Mayara Scalon









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