O Cinema Mexicano em América Latina
Para conhecer a história do cinema Latino-americano é importante entender três países que lideram a produção audiovisual e que tiveram um papel importante no desenvolvimento de uma indústria da imagem e narrativas. Cinemas que sofreram influências das principais correntes cinematográficas e muitas vezes tentaram imitar o estilo e a produção de uma das principais indústrias cinematográficas do mundo, como é o caso de Hollywood. O cinema Brasileiro, isolado pelas barreiras geográficas, sejam elas a Cordilheira, a floresta, as fronteiras hídricas e o distanciamento idiomático, fizeram com que o Brasil tivesse um desenvolvimento diferente. No caso da Argentina, influenciado pela imigração europeia e o intenso desenvolvimento industrial e intelectual, desenvolveu uma classe média consumidora de produtos culturais com uma crescente indústria editorial, de dramaturgia e cinematográfica. Na década de 30, a Argentina contava com 1.608 salas de cinema e realização de 50 filmes, enquanto que o Brasil tinha 1.100 salas e 30 filmes e o México tinha 701 salas com 40 filmes produzidos.
O México pela sua proximidade com os Estados Unidos recebe a visita do Cinetoscópio de Thomas Edison e o cinematógrafo dos irmãos Lumière meses após a apresentação em Paris. Estes aparelhos que registravam as imagens em movimento eram interessantes para as esferas políticas, uma forma de divulgar as realizações presidenciais, principalmente do Presidente Porfirio Diaz, considerado o primeiro grande astro do cinema mexicano e a inclusão da modernidade de México a partir do Cinema.

Com o cinema de Hollywood, a expansão aos oeste e a consolidação das terras conquistadas aos mexicanos, com o olhar maniqueísta entre bonzinhos que geralmente eram os “gringos” e os bandidos representados pelos indígenas e mexicanos, estes últimos homens inescrupulosos, que estupravam e roubavam os colonos. O governo de Venustiano Carranza (1917-1920) promulgou regulamentações para censurar filmes, que afetaram notavelmente as produções americanas da época, em particular aquelas que denegriram a imagem do México, articulando também com diversos países para proteger a imagem cultural de América Latina.
Hollywood com a intenção de expandir suas influências nos países hispânicos, incluindo a Espanha que era uma cinematografia importante até a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), os produtores da Hollywood Spanish Pictures realizaram um musical, dirigida pelo cubano Xavier Cugat, o filme “Charros, Gaúchos e Manolas” (1930) para explorar a cultura mexicana (charros), a argentina (gaúchos) e espanholas (manolas). Uma revista sonora com diversos números musicais e histórias que envolvem artistas e costumes desses povos, exibindo a diversidade cultural no início do cinema falado, tentando abranger todo o território de fala hispânica. Uma produção comparada com o filme “The Three Caballeros” de 1944, em português “Uma caixinha de surpresa” um filme musical estadunidense, produzido por Walt Disney, que comemora os 10 anos do Pato Donald e sua viagem pela América Latina. No filme, Donald esta acompanhado por Zé Carioca, um personagem brasileiro e o mexicano Panchito Pistoles.
Durante o Ciclo de Ouro do cinema mexicano (1934 a 1952), nos governos dos presidentes Lázaro Cárdenas, Manuel Ávila Camacho e Miguel Alemán Valdés, algumas iniciativas projetaram o México na América Latina e o alinhamento dos Estados Unidos, no período da Segunda Guerra Mundial. As parcerias de investimento para indústrias cinematográficas eram a Espanha, que saia de uma Guerra Civil, com um ditador que foi apoiado por Hitler e Mussolini, e se manteve neutro na 2ª Guerra. Os outros países eram a Argentina e o Brasil, governados por ditadores que admiravam os governos da Espanha, Itália e Alemanha, países inimigos dos norte-americanos.
O México recebeu investimentos diretos, filmes virgens, equipamentos e assessoria técnica. Em 1942 a criação do Fomento de proteção do Patrimônio Cultural, com a criação do Banco Cinematográfico, uma instituição particular para financiamento de produção de filmes, que foi nacionalizado em 1947, e transformado no Banco Nacional Cinematográfico. Criação de um Star System, ao estilo estadunidense, com atores e atrizes mexicanas e latina como Maria Felix, Mario Moreno “Cantinflas”, Pedro Almendariz, Jorge Negrete, Dolores del Rio, Ricardo Montalban e a Argentina Libertad Lamarque, entre outros. A diversidade dos gêneros na produção Mexicana varia desde as comédias Rancheiras, Comédia burlesca, Melodrama familiar, dramalhões com mulheres da noite, dramas religiosos, dramas urbanos, paródias e adaptações dos clássicos da literatura universal. A Distribuidora “Películas Nacionales” é uma empresa para distribuição da produção local no México e a PELMEX para distribuir os filmes na América Latina. No Rio de Janeiro, a PELMEX abre o Cinema Azteca, que funcionou de 1951 até 1973, uma sala que comportava 1780 lugares.

A influencia do cinema mexicano no período da “Era de Ouro” têm elementos na cultura e no comportamento como menciona Luis R. Delgado no texto “Influencias do cinema mexicano entre 1936 e 1960 na construção da masculinidade hegemónica em América Latina”. Um cinema que reforça um estereótipo machista e desigual no arquétipo entre homens e mulheres, estabelecendo cânones estéticos e de moda. No Brasil podemos dizer que influencia nos dramas das novelas brasileiras que fizeram muito sucesso na adaptação da dramaturgia à estética local. Outro material produzido em parceria do Cineclube Imigração e o Museu Antropologico da UFG é a “Oficina de Cinema Social Mexicano” apresentado em 2021, no período da Pandemia, com o especialista Lefteri Becerra, professor e pesquisador de Cinema no México e representante do Cineclube de Baja Califórnia Sur. O Dr. Álvaro Vásquez Mantecón apresenta a Palestra “La Presencia de America Latina en el Cine Mexicano” no Youtube e também pode acompanhar a apresentação do Cineclube Imigração na Feira Internacional do Livro do México com o “O Cinema Mexicano na América Latina”.

Conheça mais sobre o Cinema que influenciou o olhar e as história na imagem brasileira. A direção do brasileiro Walter Salles no filme “Diário de Motocicleta” com a estrela mexicana Gael Garcia Bernal e o argentino Rodrigo de la Serna interpretando a história de um jovem latino. A influencia dos últimos anos com o ícone mexicano “El Chavo del Ocho” (Chaves) com Roberto Bolanhos que entre 1973 a 1980, e no Brasil, a través do SBT, nos acostumou a imagens como Seu Madruga, Chaves, a Chiquinha, Quico e a Dona Clotilde (a bruxa do 71), a espanhola Maria de los Angeles Fernandez Abad, uma refugiada politica que lutou na Guerra Civil Espanhola, mencionada diversas vezes no texto.
Acompanhe as atividades dos Cineclubes Goianos pelo CINEGOIANA e pelas Redes Sociais dos Cineclubes.
Viva os cineclubes, Cinema Brasileiro e Latino Americano.
Por Francisco Lillo
Veja Mais detalhes sobre O Cinema Mexicano em América Latina:
- Saiba mais sobre a Programação dos Cineclubes em 2026. Clique aqui!
- Saiba mais sobre o Cineclube Kurosawa na Lei de Incentivo à Cultura. Clique aqui!
- Saiba mais sobre a Mostra Acreunense de Cinema – AFIC exibe produções locais em sessão cineclubista. Clique aqui!
- Saiba mais sobre o Cineclube Provocação Exibe “A Culpa é de Fidel” de Julie Gavras. Clique aqui!
- Saiba mais sobre Entre o Cineclubismo e a Poesia em Morrinhos. Clique aqui!
- Saiba mais sobre o filme “Depois Do Anoitecer” De Eudaldo Guimarães. Clique aqui!
Faça parte de nossas redes sociais!
Instagram: https://www.instagram.com/cinegoiania/
Facebook: https://www.facebook.com/cinegoiania/
Twitter: https://twitter.com/cinegoiania/
Youtube: https://www.youtube.com/ch…tWi
Gostou deste conteúdo?
Preencha seu Nome e E-mail abaixo para receber mais novidades do site
