The Handmaid’s Tale
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The Handmaid’s Tale – 3ª Temporada

Colunas, Notícia

Pra quem não tem nenhuma ideia sobre o que trata essa série farei um apanhado geral. Imagine uma distopia (estado sociopolítico de extremo totalitarismo e opressão) semelhante ao que já lemos em “1984” de George Orwell e que também vimos em V de Vingança (2005) dirigido por James McTeigue. The Handmaid’s Tale é baseado na obra homônima de Margarteh Atwood, a autora nos apresenta a República de Gileade, fundada na ascensão de lideres religiosos e políticos, que desejavam um estado de exceção, baseado no fundamentalismo religioso e conservador, nessa realidade, grande parte das mulheres se tornaram estéreis, e as poucas que ainda eram capazes de engravidar eram escravizadas e se tornavam aias (handmaid), uma espécie de serva que tem a “missão divina” de gerar descendentes dos comandantes que governam o território. Em Gileade qualquer um que não comungue com as leis e mandamentos divinos, é punido com morte ou exílio. Homossexuais, adúlteros, libertinos e qualquer um que não pratique ou siga a religião e os preceitos bíblicos estão condenados. Nessa realidade a degradação ambiental fez com que as terras se tornassem em grande parte inférteis, e a produção de alimentos é controlada e escassa.

 

As Castas de Gileade

A teonomia (poder imposto por leis divinas) de Gileade assusta não pelos seus absurdos, mas pela verossimilhança com que liga a ficção a fatos e momentos históricos. E essa sociedade não seria possível sem uma organização social e a divisão de funções distintas, então passemos as castas de Gileade para melhor compreender a história.

Comandantes: Posição ocupada por homens poderosos, em sua maioria políticos, militares e líderes religiosos, são eles que guardam as leis e controlam toda a sociedade, todo comandante tem a função de gerar filhos com suas respectivas aias.

Anjos e Guardiões: É a força máxima de segurança de Gileade, uma espécie de polícia, impõe o regime através da força e do poderio bélico e tecnológico. Os guardiões cumprem a função de soldados, patrulhando as ruas e as fronteiras e estão sempre muito bem armados.

Esposas: São as mulheres dos comandantes, geralmente de posição ou origem importante, contudo em sua maioria sexualmente inférteis.

Tias: Senhoras e mulheres devotadas ao regime teocrático, é delas a função de preparar, treinar e garantir a integridade das aias para que essas sirvam ao propósito da reprodução.

Marthas: São as governantas responsáveis pelas tarefas da casa (cozinham, lavam e limpam)

Jezebels: Geralmente mulheres jovens, bonitas e rebeldes demais para se adaptarem ao regime de Gileade, são condenadas a permanecerem em casas de prostituição para servirem de escravas sexuais.

Econopessoas: Cidadãos comuns, que cumprem funções sociais básicas, podem ser homens e mulheres, trabalhadores e operários que movimentam e emprestam sua força de trabalho para manter suas necessidades básicas.

Aias: Mulheres em idade e em condições de fertilidade, situação cada vez mais rara no universo distópico da história, são enviadas para as casas dos comandantes com a única função de procriarem, depois são separadas de seus filhos e enviadas a outras casas, até não estarem mais em condições de se reproduzir e então são enviadas as colônias.

Colonas: As mulheres enviadas para as colônias, geralmente não vivem por muito tempo, elas tem a função de trabalhar nas terras inférteis e em contato com ambientes insalubres (tóxicos) a função delas e limpar as terras e regiões contaminadas, na esperança de que esses lugares um dia voltem a cultiváveis.

 

Sexo a Três! Mas Sem Diversão

The Handmaid’s Tale – 3a Temporada
“Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. E ela disse: Eis aqui minha serva Bila, coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela”
(Gênesis 30:1:3)

Longe de qualquer polêmica religiosa, a autora faz um paralelo com os textos bíblicos, não pela critica simplista, mas pela reflexão que as situações provocam, a quem diga que Gileade pode ser uma realidade futura, não pelo estupro assistido e legalizado nessa história, (ponto alto da trama) mas pelas muitas narrativas ligadas a subserviência religiosa e ideológica. Até mesmo na perversidade do ato da “cerimônia” existem regras, elas só podem acontecer uma vez no mês, com o único propósito da reprodução, não pode haver carícias ou qualquer demonstração de afeto por nenhuma das partes envolvidas.

Toda a história de The Handmaid’s Tale é contada pela perspectiva da personagem June Osborne (Elisabeth Moss), que antes da instauração da república de Gileade, levava uma vida normal ao lado do marido e de sua filha, ela é capturada e tem sua filha levada quando tentava fugir para o Canadá, a partir de então ela se torna uma aia e é designada a servir ao comandante Fred Waterford, (Joseph Fiennes) tendo seu nome substituído apenas pelo termo “Offred” (do Fred) que indica que ela agora pertence ao comandante da casa em que vive.

A série já ganhou duas das principais premiações para produções televisivas, O Emmy (2017) e o Globo de Ouro (2018) como melhor série dramática, aqui no Brasil é possível ver no canal pago da Paramount, já que a série é exclusiva do canal Hulu (disponível apenas no hemisfério norte) e é uma das séries mais aguardas de 2019. A terceira temporada estreia no próximo dia 5 de Junho e com uma expectativa de reviravoltas que podem dar um refresco nas penas de Offred, que já passou maus bocados nas duas primeiras temporadas.

Sem dúvida The Handmaid’s Tale é um dos maiores romances de apelo feministas adaptados para a TV, mas não é somente pela forma torpe, opressiva e desumana com que trata as mulheres, ela desperta interesse, pois levanta pontos importantes do comportamento e da visão distorcida que alguns tem sobre nossa sociedade atual, preconceito, discriminação, xenofobia, machismo e tantas outras mazelas humanas são bem trabalhadas e exploradas nessa trama, e vale muito a pena, e serve de alerta em meio a tantos rompantes e arrotos de conservadorismo e teocracia.

 

Por Ricardo França

 

 


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