Zé do Caixão – Morre aos 83 Anos o Ícone do Horror Nacional
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Zé do Caixão – Morre aos 83 Anos o Ícone do Horror Nacional

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Zé do Caixão – Morre aos 83 Anos o Ícone do Horror Nacional

José Mojica Marins um paulista que nasceu em 13 de Março de 1936, foi um cineasta/roteirista/ator de cinema e televisão brasileiro mais conhecido como Zé do Caixão, seu personagem mais notório. Ficou conhecido como o “pai” do terror brasileiro, tendo seus filmes e produções tidos como os precursores do gênero no cinema nacional. Mojica demonstrava desde criança uma predisposição ao mundo do entretenimento, filho de um gerente de cinema, desde cedo se encantava com os filmes e projeções que assistia, aos 12 anos ganhou sua primeira câmera e começou a filmar suas aventuras e histórias e desde então nunca mais deixou o cinema.

Mesmo tendo seu reconhecimento no gênero de horror, ainda jovem se aventurava como ator e produtor em outros gêneros como, faroeste, aventura e a polêmica pornochanchada, e aos poucos foi desenvolvendo sua forma particular de fazer cinema, inicialmente vista com desdém pela classe artística e por colegas da profissão, e somente quando seus filmes começaram a ganhar visibilidade no exterior e ser elogiado pela crítica internacional é que ganhou prestígio e espaço na mídia nacional.

Zé do caixão abraçou o terror e se arriscou em um gênero que no Brasil era desprezado e só dava espaço para produções estrangeiras. Entre todos os filmes já produzidos certamente uma trilogia ficou cravada entre as produções mais cultuadas do ator e diretor, tudo começou em 1964 em À Meia-Noite Levarei a Sua Alma, que teve uma continuação em 1966 com Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, que só foi concluída em 42 anos depois em 2008 em Encarnação do Demônio. A saga do Zé do Caixão lhe rendeu fama internacional e fez com que fãs no mundo inteiro prestassem atenção em seu trabalho, dentre eles alguns bem conhecidos como os diretores Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura) e Roman Polanski (O Bebê de Rosemary) lá fora Zé do Caixão ficou conhecido como Coffin Joe e teve suas obras classificadas como cult para os críticos do cinema de terror.

Reconhecido e cultuado lá fora, Zé do Caixão ou Coffin Joe como era chamado nos EUA, Mojica viu seu trabalho ganhar visibilidade entre os críticos estrangeiros

Zé do Caixão – Morre aos 83 Anos o Ícone do Horror Nacional

Claro que essas não foram às únicas produções e atuações de Mojica, ao longo dos seus mais de 60 anos de carreira foram mais de 70 filmes, ora atuando ora dirigindo, mas o reconhecimento dificilmente chegava, suas produções eram sempre de baixo orçamento, e seus filmes de terror provocavam uma reação negativa, razão essa que dificultava a divulgação e a escalação de atores para seus filmes, Mojica era considerado um artista do cinema marginal, desprestigiado e sem apoio, foi alvo de duras críticas, e como no Brasil a maioria dos fãs tendem a valorizar as produções estrangeiras, os filmes de Mojica eram considerados bregas e de mau gosto, afinal em um país com a maior população católica e cristã do mundo, temas como morte, demônios e funerais não eram de fato algo que chamava a atenção.

Do Cineasta Brilhante ao Personagem Caricato 

Mojica sempre teve que lidar com muita coragem contra o desprezo e arrogância pelas suas obras, e por anos o ostracismo recaia sob seus trabalhos, e só quando ganhou fama lá fora foi que o público brasileiro começou a notá-lo, e quando Zé do Caixão finalmente ganhou destaque, Mojica decidiu “incorporar” de vez a personagem, e passou a adotar o visual obscuro e macabro que a figura representava, deixou crescer as unhas, e sempre era visto usando preto, com uma capa e uma cartola, e alguns adereços que lembravam o conde Drácula e Nosferatu. Desde então o ator deu vida a seu personagem mais famoso, e Mojica teve que sustentar o peso de representar um personagem dentro e fora das produções, e sempre se apresentava em programas de auditório ou em público onde o personagem era ridicularizado e tipificado como uma figura exótica da cultura brasileira, escondendo e deixando em segundo plano toda sua importância como um grande cineasta.

José Mojica morreu no dia 19 de fevereiro de 2020, após ficar quase um mês internado para tratar de uma broncopneumonia. A idade e a saúde debilitada já haviam afastado o artista das produções, desde 2015 Mojica não aparecia ou dava entrevistas, entre altos e baixos, apogeu e declínio, Mojica experimentou a dor e a glória, falava de temas polêmicos, provincianos, populares, que tocavam em temas sensíveis como religião, crença, folclore e mexeu com temas espinhosos, mesmo em meio a ficção suscitava discussões e problematizava situações que ainda hoje são atuais, ficará como um legado para as futuras gerações, um exemplo de garra e perseverança, de alguém que rompeu com o preconceito e com todas as dificuldades que lhe eram impostas, Zé do Caixão permanece agora mais vivo do que nunca na memória dos fãs do cinema de horror.

 

Por Ricardo França

 

 

 


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