I Am Mother
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I Am Mother

Colunas, Netflix, Notícia

Serão as máquinas que decidirão sobre o futuro da humanidade? Se prepare para um vislumbre assustador do avanço tecnológico.

 

Uma garota nascida de um embrião criando em um complexo de repovoamento humano é cuidada e orientada por um robô chamado “mãe” o robô trata a garota pelo nome de “filha”, mas com a chegada da adolescência a menina começa a questionar sua mãe sobre algumas inquietações existenciais sobre a vida humana e o porquê ela é a única pessoa naquele lugar. E a tensão aumenta quando uma misteriosa mulher chega ao complexo, colocando em conflito os ensinamentos e tudo o que ela aprendeu sobre a humanidade com sua mãe robótica.

O catálogo da Netflix às vezes nos surpreende, e uma das melhores surpresas de 2019 no serviço foi I Am Mother, filme original da plataforma, que a princípio chama a atenção pelo elenco, que conta com ninguém menos que Hilary Swank, duas vezes vencedora do Oscar de melhor atriz, em Meninos Não Choram (1999) e Menina de Ouro em 2004.

I Am Mother
Hilary Swank (duas vezes Oscar de melhor atriz) em uma atuação contida e mediana. I Am Mother mostra que um bom roteiro pode sim ofuscar a presença de uma grande estrela do cinema.

E foi no embalo do elenco que assisti ao filme, mas o que prende na realidade não é o elenco, que, diga-se de passagem, me surpreendeu muito mais pela atuação de Clara Rugaard que não se fez de rogada na presença da veterana Swank. Esse é um daqueles filmes que te prendem pelo enredo, pela trama, que aprofunda e rompe com o gênero de ficção robótica, coisa que por anos vimos em filmes como Blade Runner, Exterminador do Futuro, Robocop, Inteligência Artificial, O Homem Bicentenário e etc. que sempre trazem reflexões sobre a humanização da máquina, de como os robôs através da I.A (Inteligência Artificial) podem desenvolver sentimentos, ter noções morais e éticas sobre bem e mal.

Mas em I Am Mother essa narrativa muda, e aqui a máquina já superou o ser humano, e agora é ela, a I.A que define os perfis psicológicos que a próxima geração de seres humanos devem ter, diferente dos seus antecessores do gênero, esse filme mostra não homens criando máquinas, mas máquinas criando seres humanos.

 

O ALGORITMO SABE MUITO SOBRE VOCÊ

Quem já não se surpreendeu ao receber informações, sugestões sobre conteúdos que pesquisou ou falou sobre eles na internet? Os algoritmos de I.A que operam nas redes já conseguem trabalhar com análise de dados a fim de identificar e individualizar padrões de preferências, comportamento e de consumo na rede, e acredite esses dados estão sendo usados para sugestionar conteúdos consumidos na rede, orientando opiniões e decisões de consumo e até mesmo manipular opinião política, uma realidade cada vez mais usual. E até mesmo na ficção escritores e roteiristas já vislumbram um futuro conflitante dessa tecnologia.

I Am Mother
O algoritmo de Zola no filme Capitão América 2 Soldado Invernal, utilizado para identificar pela internet potenciais ameaças aos planos da Hydra..

E isso foi o que mais me surpreendeu nesse filme, a maneira com essa inteligência usa dados e informações sobre os humanos para estabelecer um padrão aceitável, ou seja, a humanidade não existe mais, porém uma I.A decide recriar a humanidade, mas vai fazer uma espécie de “eugenia ética” onde apenas seres humanos dotados de valores éticos e morais por ela definidos (é claro) possam repovoar de novo a Terra, ao que parece ela não aprova personalidades egoístas, egocêntricas, autodestrutivas, visto que o tempo todo, a “filha” é submetida a testes que avaliam sua personalidade.

 

A atriz Clara Ruggard

A atuação da garota é excelente, muito expressiva, responde muito bem as mudanças ao timming aos vários momentos de afeto, tristeza, tensão e desespero. A atuação de Hillary Swank é de longe uma das melhores, na medida, nada condizente com uma atriz do seu garbo, mas com certeza tem um peso na trama.

 

O robô (voz de Rose Byrne)

Ele expressa muito bem todas as nuances da personalidade, o tom de voz, os gestos, as narrativas nas considerações e questionamentos levantados, dentro daquele ambiente isolado e altamente tecnológico que coloca os personagens no mesmo nível de compreensão, tudo se torna “plástico” e vívido, com uma pequena diferença, em que uma é humana e a outra não. Ademais é um filme de baixo orçamento, sem muitas locações externas, mas o diretor teve todo o cuidado de manter a atmosfera pós- apocalíptica, desolada e assustadora de filmes de catástrofe global.

 

Um filme que merece ser visto e compreendido sobre a ótica distópica dos futuros cibernéticos, e na minha singela opinião é o melhor filme da plataforma até agora em 2019.

 

Por Ricardo França

 

 

 


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