Milagre Na Cela 7 – Emoção Forçada Em Um Drama Requentado
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Milagre Na Cela 7 – Emoção Forçada Em Um Drama Requentado

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Milagre Na Cela 7 – Emoção Forçada Em Um Drama Requentado

Drama turco de 2019 que chegou a plataforma de Netflix tem causado uma onda de comoção generalizada na internet. Milagre na Cela 7, conta a história de Memo (Aras Bulut Iynemli), um homem com deficiência intelectual que vive em um pequeno vilarejo da Turquia com a filha, Ova (Nisa Sofiya Aksongur). Após ser acusado de assassinar a filha de um comandante militar ele é preso e condenado à morte, agora a pequena Ova vai ter que lutar para provar a inocência do pai para que ele possa ganhar de novo sua liberdade.

Antes de começar a emitir minha singela opinião sobre o filme, gostaria de frisar que a minha experiência com o filme não foi proveitosa, ou tão dramática quanto à dos demais, e isso não faz de mim alguém excepcional ou insensível, e acho que isso se deve ao fato de já ter assistido algo muito verossímil em filmes com essa temática. E como toda a experiência com um filme é antes de tudo uma percepção dos nossos sentidos, e de como a produção mexe e estimula nossas emoções, não implica que outras pessoas não possam sentir algo diferente. E eu começo fazendo essa ressalva justamente, porque as opiniões com relação ao longa é algo quase uníssono, um verdadeiro banho de lágrimas para quem assiste.

Começo então a pontuar minhas reservas com relação ao filme, primeiramente pelo fato de que o longa é uma versão turca de um filme sul coreano de 2013, que tem uma pegada bem mais cômica, enquanto a produção turca apostou num tom mais dramalhão novelesco para causar certa comoção, o que quebra o quesito originalidade. E se você assim como eu, tem uma boa memória e guarda detalhes importantes de filmes antigos, pode perceber uma clara relação em filmes como Um Sonho de Liberdade (1994) e A Espera de Um Milagre (1999) embora os cenários e as locações possam conferir certa particularidade a produção, não é o suficiente para esquecermos os filmes supracitados.

 

Milagre Na Cela 7 – Emoção Forçada Em Um Drama Requentado

Talvez o ponto mais cativante no filme seja a relação do pai (Memo) com limitações e a filha (Ova)

Mas talvez o que mais me incomodou, foi a constante insistência da direção em comover demais o espectador, e antes que você pense que eu não senti a carga emocional que é a de ver um pai com limitação intelectual ser separado da filha pequena de forma injusta, mais importante aqui não é a história aqui apresentada, e sim como a direção do filme escolheu contar essa história, o roteiro descarta qualquer dúvida com relação à inocência de Memo, o que me deixou sem opção de pensar em alguns indícios que apontassem um culpa duvidosa, e isso tira o interesse de conhecer melhor esse personagem, e sabendo que ele é de fato inocente, assistir tudo o que ele passa é uma comoção forçada.

O filme traz muita facilitação dramática, as obviedades e trivialidades do enredo esvaziam a história que passa a não ter muita coisa a dizer logo depois do primeiro ato, e mesmo as subtramas apresentadas por outros personagens acabam por não se desenvolver, o que traz um certo cansaço característico dos infindáveis capítulos de uma novela. Talvez por receio de não se distanciar da proposta principal do filme o diretor preenche espaços entre as reviravoltas da trama sem acrescentar de forma efetiva para o desfecho. Todos os elementos e detalhes da trama são revelados muito cedo e acabam cansando o percurso.

 

Milagre Na Cela 7 – Emoção Forçada Em Um Drama Requentado

Não espere por interpretações memoráveis, ou personagens complexos e intrigantes, o objetivo aqui é só mesmo te emocionar

O que talvez não tenha me emocionado foi realmente a direção preguiçosa e carregada de sentimentalismo forçado, não consegui perceber a emoção dos personagens, porque sempre que eu imaginava que algum deles revelaria algo de suas personalidades, eles simplesmente carregavam demais nas expressões, em cenas demasiadamente artificiais embaladas por uma trilha sonora que se debate desesperadamente tentando a qualquer custo fazer o espectador se emocionar, quase que implorando para que uma lágrima lhe escorra pelo rosto, como se quem estivesse assistindo fosse incapaz de perceber o que de fato esta acontecendo.

O filme oscila muito, porém, é inegável que em alguns momentos algumas cenas acabam que despertando certa comoção, mas talvez pela direção pouco objetiva, e um roteiro repleto de trivialidades e muito digressivo, acho que a história mal contada mais me afastou do que aproximou da trama. A atuação de Aras Bulut Iynemli que interpreta Memo é dissonante e acaba por não entregar algo que seja compreensível, estranho para alguém com deficiência intelectual mudar de forma tão drástica a serviço da narrativa, indo do piegas ao dramático, da insanidade a coerência de maneira absurda e artificial, e isso é sofrível e angustiante de se assistir.

Por último, o filme talvez tenha apostado demais em um roteiro simplório e muito carregado no gênero, as mais de duas horas de filme, entregam no fim um resultado típico de capítulo final de novela, com a diferença que toda essa saga foi contada de forma frívola, e engraçado que ao passo que identifico algumas semelhanças com À Espera de Um Milagre, ao final eu percebo que existe um abismo entre essas tramas, talvez por isso a experiência de assistir Milagre na Cela 7 não tenha acrescentado em nada, e só reforçou ainda mais o distanciamento entre esses filmes tão bem conceituados ao filme aqui resenhado.

 

 

 

Por Ricardo França

 

 


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